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Nota do CRP-03 (pela Comissão de Mulheres e Relações de Gênero) em homenagem às psicólogas trabalhadoras da saúde

A Psicologia é reconhecida como uma profissão eminentemente de mulheres. De acordo com os últimos dados levantados pelo Conselho Federal de Psicologia, somos quase 90% da categoria, e o Sistema Conselhos vem trabalhando cada vez mais para esse reconhecimento e construção de uma profissão digna, ética e comprometida com os Direitos Humanos e das mulheres.

Apesar de ser uma profissão reconhecidamente importante e necessária à rede de atenção à saúde, ainda é constantemente desvalorizada. E isso não se trata de simples coincidência. Historicamente, o exercício do cuidado sempre foi atrelado às mulheres, por isso, desqualificado e de menor valor, assim como os trabalhos domésticos ainda o são. Vivemos em uma cultura estruturada pelo machismo e sexismo, em que a injustiça de gênero e as relações desiguais de poder têm relação direta com a condição de inferiorização e desqualificação das mulheres e trabalhadoras da saúde.

O contexto de Covid-19, o desmonte das políticas públicas, junto ao crescimento das violências contra as mulheres têm sido o cenário caótico em que as profissionais de saúde têm trabalhado, a fim de garantir o acesso mínimo à saúde mental. A procura por atendimentos psicológicos, com o aumento nos casos de violências e no adoecimento das mulheres, tem, consequentemente, aumentado. Diante desse cenário, e de uma rede precarizada, o número de psicólogas sendo chamadas para voluntariado também cresceu, demonstrando, mais uma vez, o nível de descaso com a categoria. Nenhuma outra profissão é vista sendo convocada com tanta naturalidade e recorrência para um trabalho sem remuneração adequada e justa, desvalorizando, assim, nossa categoria profissional.

Além do desafio da precarização do nosso trabalho, ao longo desse período histórico de pandemia, convivemos também com o fato de, muitas de nós, estarmos na linha de frente, enfrentando as mais duras situações, nem sempre com apoio e condições adequadas dos locais de trabalho para o desempenho das nossas atividades. Acompanhamos muitas psicólogas da saúde indo à luta, em busca de condições para exercerem suas atividades e dando suporte emocional a tantas pessoas.

Neste mês, em que são reiteradas lutas cotidianas, o Conselho Regional de Psicologia, através da Comissão de Mulheres e Relações de Gênero, homenageia e agradece a todas as psicólogas trabalhadoras da saúde, em todos os níveis de atenção, aqui representando toda a categoria, pelo esforço e empenho ao longo desses dois anos de pandemia acometida pela Covid-19. Para todas nós, esse foi um longo período de adaptação e grandes desafios, nos níveis pessoal e profissional. As trabalhadoras da saúde representam o quanto a nossa profissão tem compromisso ético e político com a sociedade, buscando o respeito às diferenças, empenhando-se na construção de novas possibilidades de cuidado mediante as demandas emergentes, e não se esquivando de suas responsabilidades e compromissos.

A todas, que estiveram e ainda estão na linha de frente ao longo dessa pandemia, que buscam, cotidianamente, formas dignas de cuidado, que foram criativas e enfrentaram dificuldades ainda não imaginadas, nosso reconhecimento, agradecimento e apoio. Sigamos em luta, e lutemos como uma psicóloga!

Salvador, 16 de março de 2022

Conselho Regional de Psicologia da Bahia – 3ª Região (CRP-03)

Comissão Mulheres e Relações de Gênero (COMREG)

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