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Relações de Gênero e Escutas Clínicas

Relações de Gênero e Escutas Clínicas

Relações de Gênero e Escutas Clínicas

Autora

Devires

Publicação

2021

Páginas

260

Disponibilidade

Disponível na Biblioteca CRP-03

Forma de Aquisição

Doação

Instituição

Editora Devires

Descrição:

Resumo:

Esta obra está organizada a partir de um trabalho narrativo feito, principalmente, por profissionais da psicologia que, quando pensam seus fazeres clínicos, éticos e políticos, levam em consideração, não como elemento central, mas como elemento não passível de isenção, os atravessamentos singulares das relações de gênero (sejam eles de raça, etnia, classe, gênero, orientação sexual, religião, deficiência, nacionalidade etc.). São, além disso, autores que, em seu campo de atuação, deixam que a clínica seja primária em relação à teoria e fazem dos seus corpos ações políticas, partindo do pressuposto de que a sua teoria, independentemente da linha teórica adotada, não é imparcial frente a estigmas, violências e discriminações. Opiniões (orelhas Lá se vão seis anos do momento em que, ao começar a existir publicamente como Amara, a psicóloga com quem eu fazia acompanhamento à época me pediu para ter paciência com ela, pois ainda estava tentando entender o que a levava a não conseguir nem me chamar de Amara nem me tratar no feminino. Insisti por mais duas sessões, até me dar conta de que aquela situação estava me fazendo mais mal do que bem e que, na realidade, parecia que nossas posições tinham se invertido. Eu não tinha (nem tenho, aliás) formação em psicologia e tampouco tinha psicológico para suportar a situação em que me via, não me restando senão romper drasticamente o acompanhamento. O curioso, no entanto, é que, dois anos antes, quando eu havia chegado ao seu consultório pedindo ajuda para não voltar a tomar hormônios nem pensar mais em transição, as palavras que ela me disse foram cruciais para me ajudar a me tornar o que hoje sou: “por que, ao invés disso, a gente não tenta entender o que levou você a querer transformar seu corpo, a se imaginar de outro gênero?”. Àquela época, pessoas trans eram sujeira estatística nas universidades, mas de lá para cá essa presença tem se tornado cada vez mais marcante, e os primeiros frutos começam a ser colhidos agora, sob a forma de produções que nos permitem tanto compreender melhor o que somos e o que deixamos de ser (problematizando a perspectiva cisgênera a partir da qual aprendemos a nos ver) quanto transformar os próprios paradigmas que orientam a construção do saber acadêmico de forma ampla. Chegará um dia em que profissionais psi não serão mais formados sem um debate profundo sobre gênero e sexualidade, dia em que não precisarei mais me preocupar em procurar profissionais psi LGBTQIA+ para que o processo de escuta clínica não seja pautado pela LGBTTQIA+fobia. Chegará esse dia, e chegará logo. Os artigos aqui presentes terão um papel crucial na invenção desse dia. Amara Moira

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